1. Ponto de partida: AMC assume a presidência
Quando a atual administração assumiu a presidência do Vitória SC, o clube já enfrentava uma situação financeira delicada:
- Um passivo superior a 60 milhões de euros;
- Receitas ordinárias parcialmente hipotecadas;
- Gastos operacionais na ordem dos 27 milhões de euros anuais, valor claramente desajustado em relação às receitas correntes.
Esta conjuntura significa, na prática, que vivemos sistematicamente acima das nossas possibilidades, recorrendo a receitas extraordinárias (vendas de ativos) ou endividamento (contraimos um financiamento a um juro de 11% já depois do financiamento da Apollo) para fazer face às despesas correntes.
2. A gestão dos primeiros 3 anos: equilíbrio assente em receitas extraordinárias
Durante os primeiros três anos de mandato, a direção conseguiu atenuar o desequilíbrio das contas através de:
- Vendas de jogadores, gerando receitas de capital pontuais;
- Resultados desportivos que permitiram participações nas competições europeias e, consequentemente, encaixe de receitas extraordinárias.
- Contração de dívida através de um financiamento na casa dos 10M (corrijam-me se estiver errado).
Como vimos a perceber esta época, este modelo de gestão é insustentável.
As receitas provenientes de transferências e das competições europeias são incertas e irregulares, sendo que não podem servir de base para a estabilidade financeira da Vitória SC SAD.
Em termos simples, AMC foi “tapando buracos” através de fontes de receita não recorrentes, sem resolver o principal problema estrutural: a incapacidade de gerar receitas operacionais suficientes para cobrir o nível de gastos.
3. A nova fase: contenção e realismo (?)
No início do segundo mandato, AMC adotou (?)/tentou adotar uma política de austeridade.
Deve ter reconhecido que a situação financeira do clube não pode continuar a ser sustentada com base em receitas extraordinárias.
Presumo que estas tenham sido algumas das medidas tomadas:
- Redução significativa da massa salarial e venda de jogadores com vencimentos elevados (espero que seja refletido no R&C do próximo ano)
- Recuperação de parte das receitas televisivas que anteriormente se encontravam hipotecadas.
- Qual será a situação dos gastos em FSE? (alguém questionou na AG?)
Como consequência natural desta mudança na política financeira/desportiva, a equipa tornou-se menos competitiva e os resultados desportivos estão a começar a se ressentir.
4. O futuro: a necessidade de capital e visão estratégica
Existem, de modo geral, duas vias possíveis:
Opção A – Manter o modelo atual, sem entrada de capital externo:
- O clube continuará financeiramente limitado, com orçamentos modestos e uma equipa de competitividade média;
- A dependência de vendas de jogadores e de eventuais presenças europeias permanecerá;
- A distância face a outras SADs, com maior capacidade de investimento e gestão profissionalizada, tenderá a aumentar;
- Elevada dependência de uma boa gestão desportiva que este ano, novamente, continua a mostrar deficiências (a nível de scouting, contratações e escolha de treinadores);
O tal "caminho das pedras" que na minha opinião apresenta risco de estagnação desportiva e financeira.
Opção B – Abrir o capital da SAD e atrair um investidor estratégico:
- Entrada de capital para redução do passivo e reforço do equilíbrio financeiro;
- Modernização da gestão e profissionalização das estruturas;
- Maior capacidade de investimento em jogadores, formação e infraestruturas;
Continua a existir o risco de não conseguirmos atrair um investidor credível!
A minha opinião pessoal:
O Vitória está numa fase complicada. As contas estão apertadas há anos e, mesmo com boa vontade, já não dá para continuar a tapar buracos e a jogar ao totoloto das vendas e qualificações europeias.
Acho que também é importante nós, como adeptos e sócios, começarmos a encarar este tema de frente e discutir-mos sobre as várias alternativas e de que forma podemos contornar a atual situação (nem precisam de opinar acerca do capital da SAD, podem ser observações a nível de gestão interna).
Por isso abri este tópico, acho que devemos todos tentar, de forma racional, fundamentar uma opinião em prol do nosso futuro!